Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos…

Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos...

“Não fomos vencidas pela anulação social,
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial;
O sistema pode até me transformar em empregada,
Mas não pode me fazer raciocinar como criada;
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo,
As negras duelam pra vencer o machismo,
O preconceito, o racismo;
Lutam pra reverter o processo de aniquilação
Que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão;
Não existe lei maria da penha que nos proteja,
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza;
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas,
Fora macacos cotistas;
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão,
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação;”

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Fluindo, criando

Caderno em mãos,

sorriso no rosto

sou eu

 

eu sou

rosto no sorriso

mãos em cadernO

 

Você me gusta

me gusta seus cabelos

me gusta sua vontade de falar

 

falar de vontade sua gusta me

cabelos seus gusta me

gusta me vocÊ

 

Pretty blue flores

voando no meu blue sky

blue butterflies

 

butterflies blue

sky blue meu voando

flores blue prettY

 

Nem sempre o convencional é bonito. A mistura da língua com outras dá vida a minha língua de forma desconexa, sem sentido. Mas que sentido tem a língua se não ser ela falada, escrita e escutada?

Diálogo entre gerações: ancestralidade é vida!

“O meu povo tem histórias que eu preciso contar. O meu povo tem histórias de cantos, de reis e rainhas vindos de um continente longe e belo. Açoitados, humilhados, privados de sua cultura. Mas o meu povo! Ah o meu povo! O meu povo é forte, se ergue, luta contra tudo aquilo que o quer derrubar”

”  Nunca sofri racismo, até por que: não sou preto!”

” Mulato, moreno, criolo, preto: já ouvi tantos nomes. Parece que as pessoas tem medo de falar que são negras: que é algo errado. Não é xingamento, sou negro! Tenho sangue africano correndo aqui, tenha a marca da escravidão tão viva quanto qualquer outra característica minha. Essa marca está comigo quando sou aceito para entrevistas, mas me olham com desconfiança, quando os táxis não param para eu e minha esposa, quando me olham pelo canto dos olhos nos restaurantes.”

“Racismo está nos olhos de quem vê! Acha que racismo existe no Brasil? Aqui não! Preto, branco, todos juntos. Racismo é coisa de gringo, aqui não tem isso não.”

” Mataram o meu filho! Mataram o meu filho! Todos os dias nós, gente simples da favela, temos que assistir uma polícia racista e ineficiente assassinando nossos filhos por que eles são suspeitos! Suspeitos de que meu Deus? De ser pobre? De ter sonhos?!”

” Acho errado essa história de rolêzinho…Na biblioteca ninguém quer dar rolê, é ? É desculpa para fazer arruaça, roubar e causar pânico.”

“Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje! “

” Não sou racista! Tenho até amigos morenos. Só não acho que a minha filha ia fazer um par bonito com um menino de cor”

“É difícil. Difícil criar minha família em uma sociedade tão errada. Que dor é ver um ser que você ama e carregou por nove meses se odiando, querendo ser qualquer outra pessoa por causa dos seus traços, sua cor. Ela queria ser paquita sabe, e eu digo para ela que ela poderia se quisesse… é mentira, claro, mas preciso dar o meu melhor para se esfoçar.Eu tento mostrar para ela que somos diferente, mas as vozes de fora são mais fortes, são muitas. Não vou desistir!”

” Somos todos macacos!”

” É assim, o sinhô açoita a gente se não coletar o tanto de cana que ele quer. Se dói? Ah, dói! e ele passa uma mistura de sal e vinagre para não inflamar sabe… Esse povo branco acha que não temos alma, que a gente não sofre. Filha, tem 20 anos que estou nessa fazenda, e rezo para Deus todo dia para ele reconhecer que somos humanos, não animais de carga, sem alma. Dói… dói muito. “

“Cotas não são necessárias, todo mundo tem a mesma capacidade!”

“Eu sabia que teria que lutar para poder estudar. Aquela gente não me queria ali, aquela gente não via que era tão humana quanto eles. Aquela gente me chamava de animal, macaco, nigger. Mas sabe? Vou continuar lutando para provar que a minha cor não me faz menos humana!”

 

 

 

 

Saudades

Saudades. Sau-da-des.

Com o ‘s’ puxado do carioca ou seco do paulistano, com a emoção do baiano ou as poucas palavras do gaúcho: saudades é sempre saudades.

O sentimento mais comum no mundo, logo depois de amor, expresso em uma única palavra, expresso de forma tão única que nem mesmo nós lusófonos podemos expressar totalmente o que a saudade é, como ela sente. ‘O sentir falta de algo, ou alguém’. Saudades de um cheiro, de uma memória,de um tempo. Uma nostalgia inebriante, irreversível.

Quanto a tenho comigo o presente parece não passar, ao mesmo tempo que o passado parece tão longe e belo. Quanto a tenho comigo meus olhos se fecham para as belezas do meu mundo, e também redescobre outras que ficaram para trás.

Ah saudade, não me castigue! já diziam os poetas, as damas e cavalheiros de tempos remotos. Os apaixonados e despatriados, aqueles que busca de um não sei o quê, não sei onde. Nessa procura continuo me deliciando com essa palavra que dói e desperta vontades terríveis; que me leva a loucura por um tempo gigantesco, quase infinito. Mas quando ela vai, quando ela me deixa, o seu doce som fica, assim como a beleza da chegada ou da partida.

Saudades. Vá, mas volte, por que assim sei que aquilo que ficou valeu a pena. Na minha velhice a terei como companheira e agora a tenho como consequência de lindos dias ao sol em um terra tão bela que parece feita de faz de conta.

Fique.