Até que o Natal chegue

O Natal,  e as festas de fim de ano, sempre são um momento de muito sentimentalismo. As memórias dos que partiram, ou a certeza da unicidade do momento vivido, são parte das coisas que nos deixam tão marcados por esse período. Será que estaremos com essas pessoas no próximo ano? Será que celebraremos mais vitórias ou pediremos por paciência, compreensão para as dificuldades encontradas no ano que passou?

Eu adoro a época de Natal. As frutas do fim do ano, o começo do verão, tudo isso me faz sentir capaz de começar de novo. Mas o dia do Natal é sempre melancólico.

No Brasil, sempre chove.

Assim como no dia dos Finados, me parece que aqueles que não estão presente decidem derramar suas lágrimas.  Sempre é muito abafado, o que me deixa desconfortável. Nos reunimos com pessoas com as quais estamos conectadas por laços de sangue, o que não significa que guardemos qualquer tipo de sentimento positivo por elas. De fato, há rancores que deixamos escondidos por um único dia, para que haja paz e para que acreditemos em uma chance de novo começo.

Assim seguimos para a ceia. Nos fartamos de comida, geralmente preparada pelas mulheres da família, e nos espalhamos pela sala, cozinha e quintal para conversarmos e digerirmos a comida. No fim, mais uma vez, as mulheres se dirigem a cozinha para dividir as tarefas a serem concluídas.

Não tocamos no nome de Deus ou de Jesus. É um fator secundário. A família, e os rituais que mantemos é o mais importante. Talvez um tia, ou uma tia mais religiosa, cite que a luz do mundo nasceu há 2017 anos nesse dia – mas geralmente não é feito.

Digo a mim mesma que amo o Natal. Na minha cabeça enúmero as razões. O sentimento fraternal, a vontade de fazer o melhor pelo próximo, a felicidade das crianças com os presentes, a ideia da vinda do Papai Noel. Nenhuma delas está relacionada com o dia de Natal.

Quiça quando mais velha me sinta parte de algo maior ao ver a família reunida, em uma casa com quintal grande e o tempo abafado. Quiça a ideia de um salvador nascido nesse dia se fortaleza e a celebração alcance um outro significado.

Por agora muitos sentimentos me passam pela cabeça, e no dia 25 de dezembro o maior que tennho é que aquilo acabe. Que venha outro dezembro onde mais uma vez amarei com todo o meu corpo os enfeites natalinos, as cores do Natal e todo afeto que tenho por essa temporada. Até que o Natal chegue.

 

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